terça-feira, 5 de abril de 2011

Notícias da semana

Iniciei a construção do braço no último fim de semana. O trabalho não rendeu tanto quanto eu queria e tive muita dificuldade para serrar a ripa de madeira. O tal do hard maple é hard mesmo! Além disso, tentei fazer um molde para a escavação do captador que não deu muito certo. Conto mais detalhes e coloco fotos sobre essas desventuras mais para frente.

Estarei viajando no próximo fim de semana e só voltarei aos trabalhos na semana seguinte. A guitarra ficará parada por esses tempos, mas haverá atualização do blog.

Estou preparando postagens sobre dois luthieres sensacionais.

Aguardem!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Aparando as arestas

Após o corte bruto, é necessário aparar o excesso de madeira em relação ao desenho.


Esse trabalho é realizado com o auxílio da tupia, uma ferramenta que normalmente não é muito conhecida. A tupia é uma ferramenta elétrica que utiliza um motor muito potente em alta rotação para fazer rasgos, cortes e entalhes em madeira utilizando fresas específicas. Ela é usada, por exemplo, para fazer molduras de quadros e rodapés.

Após o molde ser fixado ao corpo da guitarra, a tupia é passada por toda a extensão da lateral. A fresa utilizada possui um rolamento que acompanha exatamente o formato do molde. Achei que seria um trabalho mais fácil, mas levou um tempo considerável para ser realizado. A tupia retira pedaços milimétricos de madeira a cada passada. Se forçar para retirar mais material de cada vez, pode lascar a madeira ou até quebrar a fresa. Por isso, é importante ser preciso e caprichar no corte do corpo para diminuir o trabalho com a tupia.



Além disso, como a fresa é menor que a altura do corpo, é necessário retirar o molde para alcançar a parte inferior.


Houve um momento que a tupia começou a chacoalhar muito e fazer um barulho diferente. Parei e vi que havia queimado uma parte da lateral, o que consegui retirar posteriormente com a lixa (vide ao foto ao final). Dei uma olhada na tupia e percebi que a fresa estava se soltando!


Tem que ter atenção para não inclinar a tupia, o que acabou ocorrendo em algumas situações e fez uns buracos indesejados. Após a passada da tupia, usei cola de madeira e serragem para tampar os buracos. Até que o resultado final após a lixada foi bom e deve ficar imperceptível após a pintura.





Finalmente, lixei todo o corpo com lixa grã 80 e 120 e o acabamento ficou bom. Ainda vai precisar de passar lixas mais finas posteriormente antes do acabamento final.



Essa etapa do trabalho no corpo da guitarra foi finalizada. Agora ele vai ficar de lado um pouquinho enquanto inicio a escala e o braço. Após o termino do braço, retornarei a mexer no corpo para fazer as escavações para o encaixe do braço, dos captadores e da parte elétrica.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A guitarra começa a tomar forma!

O processo de corte do corpo é bastante semelhante ao corte do molde citado no artigo anterior. O desenho foi transferido para a peça de cedro com o auxílio do molde. Passei uma caneta fina em volta do molde (linha interna) e depois um giz de cera (linha externa). O objetivo é que o corte fique entre essas duas linhas tendo sempre o cuidado para não ultrapassar a linha interna. É preciso estar atento e não esquecer de traçar a linha central do corpo da guitarra que servirá para alinhamento do braço futuramente.

Por incrível que pareça, achei mais fácil cortar a peça de cedro do que a chapa da aglomerado e consegui fazer um corte bem preciso. É importante que a peça de trabalho esteja sempre bem fixada na bancada e tomar cuidado para não encostar a serra na própria bancada ou no cabo do equipamento (isso para não citar nos próprios dedos!). O cedro é uma madeira de dureza média e relativamente fácil de se trabalhar. As curvas fechadas, perto do encaixe do braço, são mais complicadas de se fazer e é necessário ir aos poucos. Vejam algumas fotos do processo.











Após o corte bruto, a próxima etapa é passar a tupia por todo o contorno do corpo para suavizar as laterais e uma boa lixada para melhorar o acabamento, o que planejo fazer no próximo fim de semana. Estou pensando em arredondar as laterais e fazer um rebaixo no local que ficarão os botões de volume e tonalidade.

Falta fazer a escavação para encaixe do braço e as escavações para instalação dos captadores e da parte elétrica para finalizar o corpo. Mas só vou fazer isso após terminar a confecção do braço para ter as medidas exatas e não ter nenhum problema com o encaixe.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Elaboração do molde

Aproveitei o feriado de carnaval para elaborar o molde da guitarra. Usei uma chapa de aglomerado de 0,5 cm porque me pareceu um material mais fácil de se trabalhar, mas poderia ter sido chapa de MDF ou até mesmo acrílico. O molde será utilizado para passar o desenho para a madeira e também como guia para a tupia aparar as laterais do corpo após o corte bruto. Ou seja, a elaboração do molde não é uma etapa necessária se a pessoa não tiver a intenção de utilizar a tupia para aparar as laterais, mas é bastante recomendável para iniciantes como um treino no uso da serra tico-tico. Qualquer erro no molde pode ser facilmente reparado e não há desperdício de madeira cara.

Imprimi a planta e copiei o desenho em papel manteiga, o qual recortei para transferir o desenho ao aglomerado. É importante checar sempre as medidas. Na primeira vez que imprimi a planta, a configuração da impressora estava errada e o desenho ficou um pouco menor que o tamanho real.







Depois foi só usar a serra tico-tico para cortar a chapa sempre prestando atenção para não passar da linha do desenho. As curvas fechadas são mais complicadas de se fazer. É preciso ir devagar e com muita paciência. Se for o caso, é melhor deixar material sobrando e ajustar depois com lima e lixa.








Após o corte, usei um pouco a lima em algumas áreas e lixa em todo o contorno para deixar as laterais bem suaves.


Taí o molde pronto!



A próxima etapa é o corte do corpo, o que só deve ocorrer no outro fim de semana. Antes preciso procurar uma lâmina de serra com tamanho suficiente para permitir o corte do bloco de cedro de 4,5 cm.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Chegaram as madeiras para a Highline Special!

Finalmente chegaram as madeiras para a Highline Special (HS). O corpo será de cedro, o braço de hard maple e a escala de pau ferro. Fiquei surpreso com o peso da chapa de cedro. Não dá para perceber muito bem pela foto, mas a peça de hard maple tem um padrão interessante e acho que vai ficar ótima após o acabamento. As madeiras já vieram aparelhadas, isto é, aplainadas e desempenadas, mais ainda vai precisar de umas passadas com a plaina para deixar a superfícies próprias para iniciar os trabalhos. Sei lá o porquê, mas já veio desenhado um modelo de braço da Stratocaster.


Tanto a peça de cedro quanto a de hard maple vieram com pequenas imperfeições que não prejudicarão o corte. Comprei as madeiras pela internete e está certo que eu pedi as madeiras mais baratas, mas não esperava que viessem com defeitos por menores que sejam.




Vou aproveitar para comentar um pouco sobre a influência da madeira no timbre final do instrumento, um assunto bastante controverso, complexo e ainda não totalmente esclarecido para mim. Quer dizer, não tenho dúvida de que o tipo de madeira influencia a sonoridade final do instrumento. Basta imaginar que as cordas são sustentadas pela pestana e pela ponte, as quais, presas as madeiras do braço e do corpo, transmitem a vibração das cordas. A madeira funciona como um filtro que absorve algumas frequências sonoras e reflete outras, influenciado, entre outras coisas, pela densidade, tipo de fibras e até mesmo o forma de corte da madeira. Assim, cada tipo de madeira apresenta uma característica sonora diferente e influenciará o timbre do instrumento.

Antes eu acreditava que a influência da madeira na sonoridade de instrumentos elétricos era mínima. Em instrumentos acústicos, como o violão, essa influência é bem mais fácil de ser percebida. Na minha visão os captadores, por exemplo, teriam muito mais influência no timbre de uma guitarra.

Mas não acho que seja como muitos falam por aí e fazem uma relação muito direta entre o tipo de madeira e o timbre do instrumento. Ou seja, para se conseguir um timbre mais encorpado e com bastante sustain, ao estilo Les Paul, bastaria construir uma guitarra com o braço e o corpo de mogno, de preferência com top de maple. Já se preferir uma sonoridade mais cristalina do tipo da Stratocaster bastaria usar alder ou ash.

Pelo que tenho lido, a madeira afeta o timbre sim, mas a sonoridade do instrumento depende de uma combinação de inúmeros fatores que têm a mesma, ou maior, importância do tipo de madeira. Fatores como uma boa construção do instrumento, o tipo de junção do braço, o uso de bons captadores e o ajuste da pestana e da ponte podem fazer uma diferença muito maior no timbre do instrumento.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Frank Hartung Guitars

Tenho visto muita coisa interessante em minhas andanças pela internete quando pesquiso informações sobre a construção de instrumentos musicais. Seja pelo design diferenciado e criativo, ou pelo uso de materiais inusitados (madeiras exóticas, metal, acrílico, etc), ou ainda pela habilidade na execução do projeto, vários luthiers tem contribuído para ampliar minha visão sobre o assunto. Não seria exagero dizer que alguns instrumentos são verdadeiras obras de arte. O trabalho desses mestres é para mim motivo de admiração e inspiração.

Periodicamente vou publicar artigos sobre alguns desses luthiers e colocar fotos de seus trabalhos. Vou iniciar com Frank Hartung da Frank Hartung Guitars. Uma das marcas registradas desse luthier alemão é o corpo esculpido que dá uma sensação de tridimensionalidade. O design, por ele denominado Flow Carving, é inclusive protegido por direito de uso. Tudo feito artesanalmente, é claro.


Outra assinatura de Hartung é o design único da mão da guitarra (headstock).


Hartung só utiliza madeiras de alta qualidade e opta geralmente pelo flamed maple como top em suas guitarras. O acabamento/polimento é primoroso, o que contribui ainda mais para dar um efeito tridimensional. Outra característica de suas guitarras é a preferência pela construção - strings through body, ou seja, as cordas atravessam o corpo e se prendem na parte traseira.


Algumas guitrras tem um trabalho de incrustração (inlay) bem cuidadoso.



Uma belezura dessas custa a partir de 2,500 Euros. Veja outros exemplos de seus trabalhos:




Olha o cara trabalhando:


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

1, 2,3 testando ...

Comprei uma serra tico-tico em dezembro de 2010 e, como nunca havia usado uma antes, resolvi fazer um teste antes de usa-la no projeto. O molde foi um painel de fotos de metal que ganhei de presente da minha namorada (obrigado, minha linda!). Usei aglomerado para o braço e MDF para o corpo. Claro que não é a mesma coisa de serrar uma madeira sólida de quase 5 cm de largura, mas já deu para ter idéia de como é. Aí vão algumas fotos:



Corte do corpo - senti alguma dificuldade para fazer as curvas mais fechadas. Depois vi uns vídeos que recomendam cortar aos poucos, sem se preocupar em ficar com a curvatura perfeita nesse momento. Esse acabamento pode ser feito pela tupia, lixa ou lima posteriormente. Eu fiz usando lima e lixa. O importante é nunca adentrar na linha do desenho. Deu um trabalhinho, mas até que ficou bom. Sujeira? Que nada!



Corte do braço - o aglomerado é bem mais fácil de serrar do que o MDF. Acabei errando a mão e uma lateral ficou um pouco torta. Melhorei um pouco com a lixa, mas ainda ficou perceptível.



Escavação do encaixe do braço - usei o formão para fazer o encaixe do braço. Essa parte exige bastante paciência e até que o resultado ficou bom.



Escavação no corpo - fiz alguns abaulamentos com a lima para o corpo não ficar tão "quadradão".


Pintura - não tinha experiência com pintura de madeira. Usando o rolo, passei duas mãos de tinta branca, coloquei fita crepe para fazer linhas horizontais e depois mais duas mãos de tinta vermelha por cima. O resultado não ficou como eu esperava e apresentou algumas bolhas.


Colando o braço no corpo.


Resultado final.